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Será que um dia vamos conseguir por um fim à homofobia? Realidade ou utopia?

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Essa é uma pergunta que venho me fazendo há algum tempo e após muitas considerações consegui chegar ao entendimento de que o Brasil é o país do preconceito, preconceito contra tantas coisas e tantas pessoas que talvez seja quase impossível enumerar. Mas no momento quero me ater à homofobia, por estar intimamente ligada ao Direito de Família.

Acho que em raríssimas exceções, ninguém da minha geração foi educado ou preparado para entender, conviver ou simplesmente aceitar essas situações.

Não, eu não sou homofóbica, o que pretendo com essas poucos palavras é colocar uma situação que ninguém parou para tentar resolver.

No mundo existem os religiosos radicais, partidários radicais e os radicais homofóbicos e esses ninguém irá conseguir mudar a opinião, ou seja, pau que nasce torto morre torto.

Vivemos hoje em uma sociedade que tenta a todo custo combater o preconceito em qualquer situação principalmente o preconceito contra os homossexuais.

Então vou direto ao ponto, eu não fui educada para demonizar os gays, nunca ouvi uma palavra preconceituosa saindo da boca dos meus pais, talvez porque não era um assunto a ser debatido entre pais e filhos há 40 anos atrás ou simplesmente porque meus pais sempre acharam que a vida dos outros não nos diziam respeito.

Mas existem os radicais, sim, aqueles que sequer querem ouvir falar em homossexuais, aqueles que ao se depararem com um casal formado por duas mulheres logo vem com aquela frase ridícula: “o que falta é um macho de verdade para essas duas”, ou quando se veem frente a frente com o casal de dois homens, disparam a pérola: “isso foi falta de cintada, ou falta de uma boa surra”.

Acho que todos já ouvimos uma frase dessas, infelizmente.

Ou seja, o radical homofóbico certamente vai criar um radicalzinho, que vai crescer e virar um radical e consequentemente irá criar outro radicalzinho e assim por diante. Estamos, portanto diante de um círculo vicioso.

Mas qual a relação dos homossexuais com o direito de família?

A mais sublime das relações com certeza, à relação familiar.

Hoje temos os casais homossexuais formando suas famílias, legalizando uma situação que há tempos já existe, sem correr riscos desnecessários.

Hoje um casal homossexual constitui sua família, constitui patrimônio e estes são herdados por quem definitivamente tem direito, ou seja, o patrimônio fica para quem em conjunto com o outro, adquiriu onerosamente todos os bens.

Mais uma conquista digna de comemoração foi a de que os casais homossexuais podem e devem adotar seus filhos, ou ainda optar por reprodução assistida.

Não se esqueçam de que os filhos que os casais homossexuais querem adotar, foram abandonados por casais heterossexuais, vejam bem, aquele ser indefeso desprezado pelos seus pais, tidos como normais, são a realização familiar de um casal homossexual.

E como faremos para acabar com o preconceito, com a homofobia? EDUCAÇÃO DE QUALIDADE MEUS CAROS, mas essa, a educação de qualidade nunca foi e nunca será interessante para os poderosos pelo simples fato de que um povo mal educado não sabe votar.

Enquanto a realidade da sociedade não muda e a homofobia persiste, nós, militantes incansáveis do Direito de Família, vamos continuar lutando para que os direitos básicos de cada um sejam respeitados, vamos continuar lutando pela igualdade social de todos os cidadãos.

Sandra Lúcia Bevevino, Professora, Advogada, Pós Graduada em Direito de Família e Sucessões pela EPD – Escola Paulista de Direito, sob a coordenação de Giselda Hironaka e Flávio Tartuce.

 

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