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BULLYING! VAMOS FALAR SOBRE?

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Nos últimos dias temos ouvido com certa frequência as mídias e rodas de conversa falando sobre “Bullying”!!! Mas afinal, o que é o bullying? De forma simples e prática são formas de atitudes intencionais e repetitivas com o objetivo de intimidar alguém, ou seja, é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas.

Por vezes, nos deparamos com esse conceito e muitas vezes surgem duvidas referentes a esse assunto, e é então, que questionamos por termos passado por essa situação em nossa infância e adolescência, sem ter a quem recorrer em uma época em que a devida atenção a este fenômeno não era dada. Hoje, nos preocupamos com nossos filhos em uma sociedade que se apresenta intolerante desde a educação infantil.

O termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa “valentão, brigão”. Mesmo sem uma denominação em português, é entendido como ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maltrato. “É uma das formas de violência que mais cresce no mundo” (FANTE). Especialistas afirmam que o bullying pode ocorrer em qualquer contexto social como escolas, universidades, famílias, vizinhança e locais de trabalho. Inicialmente, pode parecer um simples apelido inofensivo, mas que pode vir a afetar emocional e fisicamente o alvo da ofensa. Além de um possível isolamento ou queda do rendimento escolar, crianças e adolescentes que em geral passam por humilhações racistas, difamatórias ou separatistas podem apresentar doenças psicossomáticas e sofrer de algum tipo de trauma que influencie traços da personalidade. Observa-se ainda, que em alguns casos extremos, o bullying chega a afetar o estado emocional do jovem de tal maneira que ele opte por soluções trágicas, como o suicídio.

Precisamos estar atentos pois nem todos conflitos são considerados Bullying, como entre professor e aluno ou aluno e gestor. Precisamos ter claro, que para que seja “bullying”, há a necessidade que a agressão ocorra entre pares, portanto, colegas de classe ou de trabalho, por exemplo. Todo bullying é uma agressão, mas nem toda a agressão é classificada como bullying!

Telma Vinha, doutora em Psicologia Educacional e professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), afirma que para ser dada como bullying, a agressão física ou moral deve apresentar quatro características: a intenção do autor em ferir o alvo, a repetição da agressão, a presença de um público espectador e a concordância do alvo com relação à ofensa. ”Quando o alvo supera o motivo da agressão, ele reage ou ignora, desmotivando a ação do autor”, explica a especialista.

Pode-se dizer, que o Bullying não se trata de um fenômeno recente, ele sempre existiu. O primeiro a se relacionar com o termo foi Dan Olweus, professor da Universidade da Noruega, no fim da década de 1970. Ao estudar as tendências suicidas entre adolescentes, descobriu que a maioria desses jovens tinha sofrido algum tipo de ameaça e que, portanto, o bullying era um mal a combater. Atualmente temos notado que a popularidade do fenômeno cresceu com a influência dos meios eletrônicos, como a internet e as reportagens na televisão, pois os apelidos pejorativos e as brincadeiras ofensivas foram tomando proporções maiores. “O fato de ter consequências trágicas – como mortes e suicídios – e a impunidade proporcionaram a necessidade de se discutir de forma mais séria o tema”, apontam estudiosos sobre o assunto.

E como identificar o alvo do bullying? Em geral as pessoas que sofrem costumam ser uma criança ou um jovem com baixa autoestima e retraído tanto na escola quanto no ambiente familiar. Muitas vezes, por possuírem tais características dificilmente tem coragem para reagir. A partir desse fator, nota-se que entra a questão da repetição no bullying, pois se o aluno procura ajuda a tendência é que a provocação cesse. Mas, quando demora a pedir ajuda, o esse enfrenta medo e vergonha de ir à escola, e por vezes, nem mesmo os pais imaginam os motivos pelo qual seu filho se nega a querer frequentar as aulas e não é raro que queiram até abandonar os estudos, por não se achar bom para integrar o grupo e apresentar baixo rendimento.

É sabido que além dos traços psicológicos os alvos desse tipo de violência costumam apresentar particularidades físicas. As agressões podem ainda abordar aspectos culturais, étnicos e religiosos, afirma Guilherme Schelb (autor do livro Violência e Criminalidade Infanto-Juvenil). Observa-se ainda que as vítimas chegam até a concordar com a agressão, já as que conseguem reagir, nota-se que podem alternar momentos de ansiedade e agressividade, com o intuito de mostrar aos agressores que eles não são covardes ou quando percebem que seus agressores ficaram impunes, dessa forma, os alvos podem escolher alguém que seja ainda mais indefeso e passam a provoca-los também, passando de alvo e agressor ao mesmo tempo.

Por envolver consequências imediatas e facilmente visíveis, a violência física acaba sendo considerada mais grave do que uma fofoca ou xingamentos, e dessa forma, ”a dificuldade que a escola encontra é justamente porque o professor também vê uma blusa rasgada ou um material furtado como algo concreto. Não percebe que uma exclusão, por exemplo, é tão dolorida quanto ou até mais”, explica Telma Vinha.

Levando em consideração os aspectos mencionados observa-se a necessidade da escola deve permanecer alerta aos comportamentos moralmente abusivos. O professor, por sua vez, pode identificar os atores do bullying (autores, espectadores e alvos). As brincadeiras entre colegas no ambiente escolar, existem, claro! Mas é necessário distinguir o limiar entre uma piada aceitável e uma agressão. Professor, coloque-se no lugar da vítima: o apelido é engraçado? Mas como eu me sentiria se fosse chamado assim?”, não é tão difícil quanto parece chegar a um consenso. Outro ponto importante e que contribui para evitarmos tais situações são: incentivar a solidariedade, a generosidade e o respeito às diferenças por meio de conversas, campanhas de incentivo à paz e à tolerância, trabalhos didáticos, como atividades de cooperação e interpretação de diferentes papéis em um conflito; desenvolver em sala de aula um ambiente favorável à comunicação entre alunos; e quando um estudante reclamar de algo ou denunciar o bullying, procurar imediatamente a direção da escola.

 

Monize Salvatti Scudero é Psicóloga Especialista em Psicopedagogia – CRP: 06/124916

 

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