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Guerra de bosta!

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Às vezes acontecimentos pitorescos chamam a atenção e nos fazem guarda-los na memória por muitos anos, e um desses foi o bombardeio que houve aqui em Rafard, na época da luta pela emancipação, hoje mais de cinquenta anos depois de ocorrido, ambos os lados fazem brincadeiras e dão risada, só que na época não era bem assim, como contarei mais adiante, mas voltando ao fato de ficar gravado na memória, no ano de 1979, começa como vendedor da Sadia o José Ruffo, que morava em Piracicaba, mas viveu na grande São Paulo até pouco antes de ser transferido para a nossa região, e o primeiro cliente dele aqui em Rafard era a nossa venda, e ele aproveitava a parada, já depois do almoço, para descansar e papear um pouco. E numa das primeiras visitas, depois de pegar intimidade, nos contou que ouviu no Repórter Esso sobre o bombardeio que teve aqui, coisa que nunca mais esqueceu, e no momento que foi designado para essa região lembrou, alias por falar em ficar bravo, um dia em nossa ficha, na parte de cima, escrita á lápis a palavra baturu, perguntei quem foi o filho de uma boa senhora que escreveu baturu na ficha de meu pai, e ele italiano bem humorado, caiu na gargalhada, nessa época era ofensa chamar Rafardense de baturu, algo como chamar palmeirense de porco, mas como no caso do porco, virou uma forma de saudação de Rafardense anos depois. Mas voltando ao bombardeio, a emancipação de Rafard teve muitos vai e vens, e cada resultado era comemorado por um dos lados, sendo que o que causou essa divulgação de nossa cidade á nível nacional, foi uma vitória de Capivari, e os Capivarianos vieram comemorar aqui, fizeram a maior festa, varriam as ruas em alusão ao então governador Jânio Quadros, que era contra a emancipação, fizeram essa carreata contrariando o então prefeito Geraldo Amaral, que já previa que algo de ruim iria acontecer, e não poderia ser de outra forma, só existia uma saída para Capivari e onde hoje é o barracão onde é feita a feira do Braz havia um barranco, e fizeram obstáculos para os carros pararem, e de cima dele jogavam os saquinhos cheirosos nos membros da carreata, que na realidade era composta de caminhões, tornando os alvos mais fáceis de ser acertados, como na época a maioria das casas tinham privadas no quintal, foi fácil com uma latinha amarrada em um bambu, coletar munição em abundancia, já ouvi relatos sobre esse fato de pessoas dos dois lados, pois como disse o tempo passou e os ânimos se acalmaram e um lado faz piada com o outro, um amigo de Capivari narra a cena do pessoal reclamando ao Prefeito, na frente de sua casa e ele com o dedo segurando o nariz falando que disse para não irem pra lá, esse mesmo amigo contou que teve um sujeito que tirou ou feijão de dentro da orelha. Mas no final dos anos 70 e inicio dos anos 80, ainda havia essa rixa e no ônibus de estudantes que ia pra Piracicaba eu pelo lado de Rafard e um amigo pelo lado de Capivari começava provocar o outro, até que dois amigos, um daqui e outro de Capivari tomavam as dores e iam se provocando até Pira, e nós dois, brasas encobertas íamos apreciando, bem como boa parte dos passageiros que sabiam que a gente gostava de soprar uma brasa, mas saindo do ônibus as discussões acabavam, no fundo acho que eles já sabiam e continuavam nossa brincadeira. O tempo passou, os causos ficaram, mas Rafard e Capivari hoje se consideram cidades irmãs, eu e muitos amigos casamos com moças de lá, inclusive esse que a gente botava fogo, e hoje mora lá!
Jr Quibao Rafard 08 03 2018 15:39

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