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Memorias gastronômicas

A memoria da gente é disparada pelos mais diferentes gatilhos, e um deles aconteceu hoje, algumas horas atrás, durante uma comprinha de última hora que fazíamos em um mercadinho de bairro na cidade de Piracicaba, onde costumamos comprar um tempero muito bom. A gente voltava de São Pedro e ainda não tínhamos almoçado, e ainda não sabíamos que a gente iria comer. O Tempero estava em outro lugar, em frente aos macarrões, e a Sarah admirou pelo tamanho de um pacote de macarrão de 1Kg, embrulhado em papel, quem é da velha guarda como eu já conhecia, mas a maioria dos mais jovens não. Nem precisamos dizer que foi escolhido para ser nosso almoço, que foi servido pouco antes das 17:00 horas, chegando em casa, macarrão feito, sentamos almoçar, e ai por causa da admiração dela pelo sabor do macarrão, fui comentando sobre as coisas de meu tempo de criança, época que ele era o mais vendido na venda de Itapeva. Dai para virar contação de causo foi um pulinho! Contei pra ela de como as compras eram feitas, numa época onde as pessoas mandavam a lista de compra na venda, acompanhadas de seus sacos de açúcar, alvejados com muito capricho para serem colocadas as compras, lembro de meu pai colocando as mercadorias dentro deles, produtos enlatados, fósforos Argos, outros já iam os produtos de limpeza, sabão em pedra, vendidos á granel, sabão em pó, que alguns preferiam OMO, mas tinha o Rinso e outras marcas mais baratas, em outros sacos iam feijão, ou arroz, bem como açúcar, pois todos eram vendidos por KG, nada era embalado, era até bonito ver o tamanho das compras, quantos quilos de arroz e feijão iam em cada compra, pois naquele tempo as famílias eram grandes, por falar em vendas á granel, lembrei das bolachas que vinham em latas do tamanho das latas de óleo de 20 litros, e eram vendidas por Quilo também, alias muita gente comprava o “fundo da lata de bolacha” para leva-la embora, pra ter onde guardar a próxima compra, na lembrança os sabores até parecem melhores naquela época, não sei se por pura nostalgia, ou se pelo consumo mais controlado deles a gente dava mais valor á tudo isso. Voltando ao óleo, a maioria os comprava á granel também, e antes de meu nono comprar a bomba manual, tinha que pesar o vasilhame para descontar sua tara, e colocar o peso que se não me engano era de 800 gramas por litro, que era feito com o tambor de 200 litros deitado sobre um suporte e onde era colocada uma torneira de onde era envasado nos litros ou garrafões. Depois de separadas as compras meu pai pegava um barbante para fechar os sacos com um nó, e depois fazia um etiqueta com recorte de caixa de papelão e colocava as iniciais do freguês amarrado no barbante para não ter confusão na hora de entregar, hora essa que pra mim era a melhor, pois eu ia junto, primeiro nas várias Kombis que o nono Loatti teve, e no final em um F1 51, que ele havia comprado da usina. É impressionante as lembranças que um simples pacote de macarrão nos trás, o sabor matou minha saudade, a diferença é que não tinha o “queijo duro” como era chamado o meia cura naquela época, tive que me contentar com parmesão ralado de saquinho mesmo, e hoje em dia que pude acompanhar esse prato com o melhor acompanhamento possível, um belo vinho seco!
Jr Quibao
Rafard 17/03/2018 17:44

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